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Duas diretrizes nortearam a concepção do projeto de construção de um pavimento de cobertura para compor um apartamento de 234m², situado no bairro do Jardim Botânico, às margens da encosta do morro do Corcovado.
A primeira delas foi a demanda por um espaço amplo, com o mínimo de subdivisões internas, favorecendo a ventilação cruzada e estabelecendo uma relação de continuidade entre os espaços da casa e com a paisagem do entorno, especialmente a Mata Atlântica situada em frente ao edifício. Optou-se então por uma solução que agrupou as áreas íntimas e de serviço (quarto, banheiros, área de serviço) em um bloco que se desenvolve ao longo da fachada leste, gerando assim um espaço amplo que atravessa todo o apartamento e conecta as varandas nas duas extremidades. Nesse espaço estão a cozinha, salas de jantar e estar, escada de acesso e escritório.
Essa disposição teve como conseqüência a predominância do eixo longitudinal na leitura do espaço interior. Como contraponto, o volume que abriga a caixa d´água foi projetado atravessando a laje de cobertura no sentido transversal. Ele se destaca no espaço por um desnível em relação ao teto, por um tratamento diferenciado de superfície e pela clarabóia que o separa da laje de cobertura, tornando todo volume visível do interior.
Na extremidade norte, onde se localizam as salas de estar e jantar, o vão livre de 8,80m no sentido transversal pode ser aberto totalmente através de um sistema de portas pivotantes que correm, privilegiando o contato direto com a Floresta da Tijuca e o Cristo Redentor.
A segunda diretriz foi a preocupação com a utilização dos recursos naturais renováveis.
Para cobertura foi projetado um telhado verde, minimizando tanto a irradiação do calor do sol para o interior do apartamento quanto sua reflexão para a atmosfera. Essa solução, aliada às amplas possibilidades de ventilação cruzada, dispensou a utilização de condicionadores de ar.
Além de suas qualidades termo-acústicas, o telhado verde com acesso direto pelo interior do apartamento, é um grande jardim no apartamento e permite aos moradores a manutenção de uma horta e a compostagem do lixo orgânico produzido.
Painéis de captação de energia solar foram instalados no ponto mais alto do edifício para atender a demanda de aquecimento de água. A abundante utilização da iluminação natural com a abertura de grandes vãos de janela nas quatro fachadas foi intensificada com as clarabóias. As mesmas possuem um sistema de circulação de ar constante mantendo o conforto no ambiente.
Uma cisterna desativada no subsolo foi reformada para armazenar as águas pluviais coletadas na cobertura, para serem utilizadas na limpeza das áreas externas e para a irrigação do jardim.
A solução formal adotada atende às demandas de adequação do novo volume ao edifício existente impostas pelo poder público, uma vez que ele se situa na APAC (Área de Proteção do Ambiente Cultural) do Jardim Botânico.
O edifício Maguí foi construído em 1951, época da ocupação urbana do bairro, e também um período de grande importância no desenvolvimento do Movimento Moderno no Rio de Janeiro. No mesmo período, foram construídos nas proximidades os edifícios Antônio Ceppas (1952), de Jorge Machado Moreira, e o Hospital da Lagoa (antigo Hospital Sul América, 1952) de Oscar Niemeyer e Hélio Uchoa, com jardins de Burle Marx.
Apesar de não seguir a risca os preceitos corbusianos, o projeto do edifício tem uma composição geométrica em sintonia com a arquitetura moderna produzida na época.
A nova intervenção teve como premissa a inserção de elementos com características geométricas semelhantes às existentes. Com um recuo frontal de 5 metros o novo volume não altera a fachada principal do edifício existente e nas fachadas laterais estudou-se uma forma a manter a leitura da composição original.
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